uma chaleira de água fervente,
varal de desejos revoando ao vento
papel amarrotado, rascunhos nunca passados à limpo
meus sonhos se costuram, tecidos do meu olhar o mundo
e todos eles, um a um, transbordam no meu ir e vir
e vertem toda uma fantasia diária
que inunda meus olhos utópicos
embotados de luz e encontros imaginados.
estes são os meus sonhos
que deixam de ser meus quando os conduzo
com as rédeas de minhas lembranças em cacos
e atravesso os vales do meu passado, sombras da manhã de hoje.
e estas reminiscências de que falam meus olhos
são o chão que eu piso em passos concretos
o ar que eu respiro névoa de incenso
um quebra-cabeças em meus pulmões
e são as asas das conversas descompromissadas
que me levam pras veredas do improviso
até que elas se derretam no delicioso emaranhado de risos
numa noite fresca à guisa de cervejas bem geladas
os meus sonhos são assim
contornos sobrepostos, rabiscos imprecisos
cores além das margens, dos ritmos, as músicas
e se assim dançam é porque existem personagens
que os fazem eternos, por uma noite infinda
monólogo interior em coro grego
no espetáculo de todos os sonos acordados
ou em pleno estado de lirismo.
Gil Miri
Arte-educador por devoção, ator por necessidade vital, ambos por profissão e amante incondicional da Arte.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
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