Le Train: au faubourg consciense

partiu da estação da memória
para além dos trilhos da mente
uma expressa locomotiva,
levando em seus vagões
lembranças e fatos de vidas muitas.

nomes diversos e gestos turvos
tomam champanhe num vagão ;
palavras outononais e faces translúcidas
dançam litúrgicas um valsa em outro,
e olhares subversivos ouvem Blues no quarto vagão.

no sétimo, expressões fleumáticas e efervescentes
posam nuas para desejos subalternos
que as desenham com nanquim e as pintam
em tranqüila orgia cromática,
para expô-las nas janelas únicas do vagão.

perfumes miscíveis e desrotulados
cantam feitos boêmios insanos
e tocam gaita que flui com o som
embriagado de um saxofone
na meia luz anil do nono vagão.

o som de guitarras alucinadas
e de violinos em delírio
ecoam em meios as vampiros vapores
que eternizam os monólogos performáticos
dos sonhos utópicos que viajam no 13º vagão.

nos três últimos, risos e lágrimas
de ódio e amor, de dor e prazer
encenam dramas e comédias, farsas e comédias
em palcos de arena improvisados
para vozes plácidas e seculares.


30out01

Gil Miri

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