partiu da estação da memória
para além dos trilhos da mente
uma expressa locomotiva,
levando em seus vagões
lembranças e fatos de vidas muitas.
nomes diversos e gestos turvos
tomam champanhe num vagão ;
palavras outononais e faces translúcidas
dançam litúrgicas um valsa em outro,
e olhares subversivos ouvem Blues no quarto vagão.
no sétimo, expressões fleumáticas e efervescentes
posam nuas para desejos subalternos
que as desenham com nanquim e as pintam
em tranqüila orgia cromática,
para expô-las nas janelas únicas do vagão.
perfumes miscíveis e desrotulados
cantam feitos boêmios insanos
e tocam gaita que flui com o som
embriagado de um saxofone
na meia luz anil do nono vagão.
o som de guitarras alucinadas
e de violinos em delírio
ecoam em meios as vampiros vapores
que eternizam os monólogos performáticos
dos sonhos utópicos que viajam no 13º vagão.
nos três últimos, risos e lágrimas
de ódio e amor, de dor e prazer
encenam dramas e comédias, farsas e comédias
em palcos de arena improvisados
para vozes plácidas e seculares.
30out01
Gil Miri
Arte-educador por devoção, ator por necessidade vital, ambos por profissão e amante incondicional da Arte.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
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