Se faço caso,
se de conta faço
ou se conto causos
Se caçôo no encalço do acaso
Na deixa dos distraídos
Se Capitu traiu, Machado nada disse
Se critico ou se sarcástico
Se me equilibro no gume preciso
Se no largo riso me comprazo
E se mudo as cartas da mesa
É só pra dizer na cara da raiva
Que aqui ela não tem vez
Se eu fosse sei que iria
Sei que ironia se não fosse uma pedra
No meio do meu caminho cinco Marias
Jogadas para o alto de salto que não uso
Mas eu vou.
E agora, Cristo?
O ônibus passou
A hora passou
E se eu gritasse
Se eu esperneasse
Ele talvez voltasse
Se eu dormisse
Se eu morresse,
Mas eu não morro,
Eu durmo, Cristo!
E pergunto eu,
Que pode uma criatura senão,
Entre as cobertas quentinhas , dormir?
Dormir e esquecer,
Dormir e mal-dormir?
Dormir, não-dormir, rolar na cama, pra lá, pra cá?
Sempre, e até se estiver atrasada, ficar na cama?
Este o meu destino: dormir sem conta.
Gil Miri
Arte-educador por devoção, ator por necessidade vital, ambos por profissão e amante incondicional da Arte.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
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