Meu estômago tem dentro de si uma britadeira em pleno sol de meio dia, furando, cavoucando tudo o que encontra pela frente. Meu corpo treme, estremece; sinto como se fosse cair pra fora de mim, escorregar pelas beiradas do meu suor... e um cavalo relincha alto, meu sangue esquenta e ele chega empinando as patas, e eu subo e monto no cavalo de mim mesmo, sinto-me cavalgando e sendo cavalgado com a fúria das rédeas de meus braços no ar. Os olhos ardem e fixam num ponto como que hipnotizado, corre, empaca, vira bruscamente por lado, galopa, desvaira-se sem rumo e lá dentro, a britadeira continua furando, antropofágica me alimenta, me empurra e queima..
Cavalos, touros, lobos, homens, exus... correm a minha volta. São despertados, rompem a pele, o pêlo, o suor... riscam no chão caminhos, trilhos em minha carne...
É neste sentido, que esses animais vão entrando e fazendo parte da composição dos meus personagens , o seu lado mais animal, irracional... não sei... afloram no Barba Azul, está no íntimo do vendedor do bordel, na língua do comprador, no corpo do cara que compra sexo das prostitutas...
Esse dia foi muito forte a presença dessa corporeidade... quero ir mais a fundo nisso...
Gil Miri
Arte-educador por devoção, ator por necessidade vital, ambos por profissão e amante incondicional da Arte.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Gil! ser gauche na vida, mas sobretudo, sou um fingidor. Finjo tão completamente que chego a fingir que sou ator, o ator que deveras sou.
E aqui é meu canto. É neste espaço sob as hélices de alguns mestres que acordo meus sonhos imaginados, reais e impossíveis.
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