Estrangeiros em nossa cidade, por Thiago dos Santos

Estrangeiros em nossa cidade. Estrangeiros porque há poucas raízes aqui, povo sem cidadania. Existe um tema, ressaltado pelo filósofo alemão, Walter Benjamin, do barco que representa a saída, metáfora também da cura. Nesta cidade, vivemos nesse processo de ida, para, logo depois, sentir a frustração da volta, no trem. Por toda a parte o asfalto está ruindo, revelando nossas raízes de barro, nosso passado de lama consome os nossos pés nos dias de chuva, não se pode adiar, precisamos fazer as pazes com o passado, não deveríamos esquecer – eis o nosso mal.
Mesmo estando em outra cidade, lá estarão os nossos pés sujos de lama que não nos deixará mentir. A lama nos pés é o nosso passado clamando por ser redimido.
Devemos ter olhos para identificar as fantasmagorias de progresso, colocá-las em seu lugar.

Gil Miri

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