Olhos de caverna

Foi num daqueles dias
Que o tempo custa a escoar suas horas
Que reparei verdadeiramente
naquela gente
Que toma, todos os fins de tarde,
O trem de regresso

Reparei que tinham de fato
Olhos de caverna, todos eles
Como cancros fincados em seus rostos

Durante aquela uma hora,
Que custou gerações a debulhar seus minutos
Ficaram todos eles e elas encolhidos
No fétido conforto
De suas entranhas

Acostumados a esperar
A esperança de um dia
Sair da caverna de seus olhos
Mas o máximo que aconteceu
Foi o trem chegar à estação terminal.

Gil Miri

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