Destino - Mia Couto e E. Munch

à ternura pouca
me vou acostumando
enquanto me adio
servente de danos e enganos

vou perdendo morada
na súbita lentidão
de um destino
que me vai sendo escasso

conheço a minha morte
seu lugar esquivo
seu acontecer disperso

agora
que mais
me poderei vencer?

Mia Couto


Uma reflexão sobe nossa condição seres mortais e passageiros neste tempo, nas palavras de Mia Couto e na pintura de Munch. Vejo assim, uma complementação de olhares, prismas de uma mesmo destino, a que todos nós estamos presos.  

imagem:
Edvard Munch
Melancolia, 1891

Gil Miri

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