A dois graus

O Beijo | Gustav Klimt
(1907 - 1908)
É um querer estar
Sempre e tanto, o tempo todo
Preso no filme de nós dois

É um estar repleto
um distraído riso bonito
Que se figura em abraço aconchegante

Um abraço como laços
Carregados de fotografias
Alinhadas em cenas de chuva fina

É uma respiração em rodamoinho
Miscelâneas, tramas de olhares
Em desenhos marcados no ar

É um pouco de sol que es vai
Pincelado com aquarela na brisa da tarde
Para uma noite que vem entrelaçar nossos corpos

Somos pulsos ininterruptos
Lascivos transgressores
A dançar nosso tango libertino

É um desejo latente
Que pulsa amplificado
Pelos poros insaciáveis

Um estrondo em silêncio
Quando olhos ávidos
Se encontram incandescentes em primeiro plano

É um sentir-se inebriado
Que arrepia a pele
Água na boca de mais e mais ardor

É um estar juntos
Feito que somos um
E ainda que distantes um mesmo pensamento

Gil Miri

4 comentários:

  1. uma chama que inflama o peito e fazem olhos bobos

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  2. Olha que surpresa boa e curiosa! Uma delicadeza suspirante são essas letras...

    Que coisa boa, inclusive pela coincidência no título.

    abraços.

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  3. Olá Patife, seja bem vindo...

    que bom que gostou... e volte sempre que quiser acordar sonhos...

    *coincidência no título??? hmm... qual?

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